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SOMA – Review

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Jogos de terror, em sua maioria não tentavam arriscar fora do que o gênero ”terror” demandava, que era simplesmente assustar o jogador. Isso obviamente mudou ao longo dos anos, jogos como a saga Sillent Hill, Outlast, Amnesia ou P.T começaram a ser mais comuns no mercado, e jogos de terror com uma boa narrativa viraram algo à se esperar do gênero. Mesmo assim eu ainda sentia que faltava algo, com certeza existiam muitos jogos com estórias excelentes, mas sempre faltou aquele jogo que pudesse nos atingir como um Bioshock Infinite ou The Last Of Us. Foi ai que eu resolvi jogar um pequeno jogo feito pela Frictional Games, que fez a espera de anos por um jogo de terror que tivesse uma estoria que me agradasse valer totalmente a pena.

Deixe-me começar dizendo que nunca fui um fã de Amnesia, o jogo não conseguia me dar medo, eu não conseguia ser consumido pela atmosfera, em geral não foi uma boa experiência para mim. Apesar disso, consigo ver o porque as pessoas gostam do jogo e eu não tenho como negar o fato de que o jogo foi o responsável pela volta dos Survival Horrors. Quando se trata de gameplay e como os inimigos são apresentados a você durante o jogo, SOMA é parecidíssimo com Amnesia, e mesmo com muitas coisas familiares à Amnesia, eu me peguei gostando muito mais de SOMA e achando no geral uma experiência superior.

Campanha:
No começo, a estória parece que não vai sair daquilo que começa. O personagem principal -Simon- sofreu um acidente de carro que ferrou com o cérebro dele, fazendo com que ele tenha que ir fazer um scan no Hospital com o Dr. Munshi. E então do nada, você acorda numa cidade em baixo d’água, no ano 2104, mas o que parece uma ”simples” trama fica mais complicada e filosófica do que você consegue imaginar. Quando a estoria começa a se desenrolar (mais precisamente para a metade do jogo), a trama do jogo começa a mostrar sua genialidade, que de vez em quando da aquela sensação de que veio de algo de algum Bioshock.

SOMA escolhe abordar vários assuntos durante essa campanha, como por exemplo, o que faz um humano, humano, se viver uma vida imortal ainda é uma vida que vale a pena viver, se o ser humano gostaria de ter sua memoria copiada para viver pra sempre. Assuntos tocados por vários jogos e filmes com a temática Cyberpunk. É raro um jogo ou filme conseguir usar esses tópicos com maestria e sutileza, e para a nossa felicidade, SOMA consegue até que bem. Graças aos assuntos que o game aborda, o jogo pode incomodar algumas pessoas dependendo do pontos de vista que elas tem aos assuntos abordados, mas provavelmente a maioria vai apreciar bastante.

Protagonistas e Voice Acting:
A narrativa é basicamente movida pelos dois personagens principais, Simon e Catherine, e como a química desses dubladores funciona. A dublagem do jogo inteiro é excelente, todas as vozes e atuações dão a sensação de algo genuíno, o que inclusive faz os encontros com robôs ainda mais arrepiantes. Mas a atuação do Simon e da Catherine é algo magnifico. A química entre os dois personagens, os diálogos, todos os momentos encaixam tão bem que a imersão é garantida.

Atmosfera:
A atmosfera de SOMA é densa, pesada, e com certeza completamente diferente. Sempre existia aquela sensação de tristeza jogando SOMA, de um lugar sem esperança, principalmente com as decisões que você tem que fazer durante o jogo, que podem não afetar o final, mas com certeza vão afetar o seu estado de espirito. Apesar disso, ainda existem problemas no jogo que deixaram-me um tanto decepcionado com a Frictional Games.

Problemas com a performance do jogo:
Na cópia de PC onde jogamos SOMA é quase injogável. Existiram momentos no jogo, que por nenhuma rasão, tiveram quedas de fps, inclusive chegando muitas vezes á a menos de 28 fps, o que pode parecer que não incomoda,  mas as quedas são tão constantes que é impossível não sentir um incômodo. O pior disso, é que dos 6 jogos que a Frictional lançou 5 foram exclusivos de PC, e mesmo depois de 6 jogos a produtora ainda não é capaz de fazer uma boa otimização para seus jogos.

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Inimigos:
Algo que a Frictional Games sempre fez certo, foi a apresentação dos inimigos. Outlast tinha vários inimigos interessantes, alguns até assustadores, mas com o excesso de novos inimigos sendo jogado em você, eles deixaram de ter a sensação de serem algo especial, fazendo com o que fugir de um inimigo seja mais você não querendo morrer e ter que voltar em um checkpoint, do que um medo real dos inimigos, algo que a Frictional já entendia desde o Amnesia. Alguns inimigos em SOMA são tão bem pensados quanto os de Amnesia sim, mas a destreza da Frictional com inimigos parece que diminuiu. A partir de um certo ponto, eles começam a perder a sensação de serem um evento especial e importante, inclusive perto do final você nem se importa com o que ta enfrentando, é simplesmente correr em direção ao objetivo, e voltar correndo, simples assim, o que pode tirar muitos da experiência do jogo.

Puzzles nada divertidos:
Os puzzles de SOMA são sempre divididos em duas categorias, ridiculamente fácil ou estupidamente difícil, e não é o difícil do tipo que a culpa é sua por ter sido lerdo, é do tipo frustante que tem soluções que você nunca iria normalmente pensar e que não adicionam nada para a estoria em geral. Com o tão pouco (beirando a nenhuma) informação que o jogo dá para como o puzzle funciona, você vai se pegar muitas vezes andando de um lado pro outro apertando botões randomicamente até que algo aconteça. Apesar disso, existe uns puzzles bem interessantes que movem a estoria pra frente e mexem bastante com a premissa de SOMA. Tem esse em especifico onde o Simon e a Catherine tem que manipular a consciência de um dos tripulantes para conseguir uma informação, onde mais uma vez o jogo brilha com os assuntos que aborda.

O veredito:
Esse é um daqueles jogos que você tem a obrigação de jogar. Com um roteiro incrível e um sustos na manga, SOMA pode não entrar pra lista de melhores jogos de terror de todos os tempos, mas com certeza vale a sua atenção pela sua narrativa incrível. Só espero que daqui alguns anos, SOMA receba adoração pelo seu brilhantismo e por tudo que faz tão bem.

SOMA está disponível para PC, PS4, e com a possibilidade de lançar no Xbox One.

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