Animações

A decadência da Pixar

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Não existe uma pessoa na terra que não tenha assistido um filme da Pixar. Os incríveis, Toy Story, Monstros S.A,  Procurando Nemo, a lista de filmes clássicos da Pixar é imensa. Por um bom tempo todos pensavam que não tinha como errar quando se tratava de Pixar, mas esse pensamento mudaria drasticamente.

Existe um trailer de WALL-E que confirma que todas as ideias de filmes até o WALL-E vieram de uma conversa em uma pausa no trabalho, o que significa que todas as filmes pós WALL-E foram ideias novas que eles tiveram ao longo do produção dos filmes até WALL-E.

Up foi o primeiro da leva de novas ideias da Pixar e ainda mantinha a qualidade Pixar que todos conhecemos, os seus primeiros minutos são sensacionais, talvez uma das melhores coisas no cinema, quatro minutos sem dialogo algum apenas cenas mostrando o desenvolvimento do casamento de Carl e Ellie. E ainda sim consegue ser uma das cenas mais poderosas e orgânicas do cinema, talvez a cena mais emocionante dos filmes da Pixar. Mas apesar disso, o filme tem alguns problemas. Comparado com os dez primeiros minutos os demais atos do filme deixam bastante a desejar. Os primeiros minutos são tão bons que eles se distanciam do resto do filme (isso não quer dizer de nenhuma maneira que é ruim), o resto do filme continua sendo uma aventura legal e surreal o suficiente para manter qualquer pessoa interessada, só que o começo é tão bom que de certa maneira funciona contra o próprio filme. Mas mesmo assim, continua sendo facilmente um dos melhores da Pixar.

Brave (ou Valente) foi o segundo filme pós WALL-E, e é aqui que uma certa falta de criatividade do time começa a se mostrar. Brave é um dos filmes da Pixar que mais se distancia da temática e pacing dos outros. O filme tinha uma coisa ao seu favor, se passar na Escócia medieval. Quantos cenários bonitos poderiam ter sido feitos e mostrados, mas não, as únicas cenas que mostram partes do lugar onde eles vivem aparece por segundos e voltam para florestas e castelos comuns. Existe um certo problema com a personagem principal, Merida tem um design muito interessante que chega a gritar por aventuras, até as fotos promocionais mostram ela com o arco empunhado passando a sensação de algo épico, isso e mais os trailers dela andando pela floresta com o seu cavalo gritava que essa seria a melhor princesa que a Disney já teve. Mas infelizmente não é o caso.  Merida não é de maneira alguma uma personagem ruim, porém o fato de ela não ter nada novo a oferecer a torna uma personagem medíocre, ela passa a sensação de uma mistureba de princesas e parece uma combinação da Bela e da Jasmine. Uma princesa quer casar com quem ela quer e não ser obrigada, ela é aventureira, independente e energética, soa familiar? Algo que você sente constantemente no filme é que ele é rushado. O filme taca tantas ideias e pontos de vista no filme e acaba não focando o suficiente em nenhuma. O terceiro ato e a relação da Merida com a sua mãe, essas partes são as partes mais interessante e originais que nos faz indagar do porque do resto do filme não ser assim. Brave não é ruim, mas é incomparável aos filmes anteriores da Pixar.

Divertida Mente foi um caso estranho para mim, quando o filme saiu, todo critico estava elogiando o filme, todo mundo falava que essa era a volta definitiva da Pixar, que ela voltou a ser a empresa criativa que era antes. Quando eu comecei a ouvir elogios de um lado para o outro, eu resolvi abaixar minhas expectativas ao minimo, afinal quando Carros saiu, todo mundo adorou, então essa parecia a coisa mais sensata a se fazer. Mas de algum jeito, as expectativas à zero, eu sai um tanto decepcionado com o que eu recebi. Eu devo dizer que existe uma coisa que me impressionou bastante em Inside Out, o mundo dentro da cabeça da Riley, é um mundo tão criativo, colorido e vivo, algo que da a sensação de algo que veio da cabeça das mesmas pessoas que fizeram Up. A mensagem que o filme quer passar no final também é bacana, e o fato de casos onde pessoas com depressão terem sido ajudadas pelo filme mais que os seus próprios terapeutas é demais, mas o problema é o que tem no meio dessas duas coisas. Depois dos primeiros minutos apresentando o mundo onde estamos (que é bem interessante), nós somos obrigados a sentar por um filme que é igual a todo filme de aventura que você já viu. Os dois lados não se entendendo, alguma coisa impedindo eles de irem ao objetivo para fazer o filme ser mais longo, a separação dos dois indivíduos por não se entenderem ou brigarem, o sacrifício de algum personagem, de clichê tem de tudo um pouco. Alguém pode argumentar que clichês não são tão ruins, e eu concordaria 100% com essa pessoa, clichês não são um problema, quando são feitos DIREITO. A maioria das pessoas que me conhecem sabem como eu amo ‘Como Treinar Seu Dragão’, um filme repleto de clichês, mas o que faz eles não serem insuportáveis é o timing. Nenhum clichê de Como Treinar Seu Dragão recebe foco o suficiente para começar a incomodar, já ‘Divertida Mente’ eles passam minutos em algo que você já viu milhares de vezes em outras animções, o que me tirou muito do filme. Para falar a verdade, mesmo eu adorando a mensagem que o filme quer passar, da para adivinhar ela no começo do filme, quando uma situação no comecinho do filme acontece com uma das emoções, eu lembro de ter bufado por saber o que ia acontecer, apesar de isso não estragar a mensagem final, ainda é meio triste para a empresa que não jogava a mensagem na sua cara no começo do filme como WALL-E por exemplo. Não é um filme ruim, existem varias coisas incríveis sobre o filme, mas é decepcionante ver uma empresa que só fazia filmes sensacionais cometer esses errinhos.

Após o lançamento de O Bom Dinossauro, da para perceber que é algo que pode nunca melhorar, principalmente com todo mundo passando a mão na cabeça da Pixar e dando notas altíssimas só porque é um filme da Pixar. Isso também vale para as sequências das franquias da Pixar. Todo mundo que assistiu Toy Story 3 sabe como acabou da maneira perfeita, continuar dali ia ser algo completamente desnecessário, o que ia ser aceitável era no máximo fazerem curtas, mas adivinha só o que vai lançar em 2018? Toy Story 4, a continuação que ninguém pediu, mas foi feita pelo dinheiro que o 3 arrecadou. E infelizmente não para só por ai, filmes novos de franquias da Pixar que ja lançaram foram horríveis, Universidade Monstro e Carros 2 estão ai para provar. O mais assustador é que quanto mais a Pixar desaprende como ela fazia filmes, mais a Dreamworks, que todo mundo ridicularizava por filmes como Espanta Tubarões, esta aprendendo cada vez mais, lançando filmes como Kung Fu Panda e Como Treinar Seu Dragão. A nossa unica esperança agora é que Brad Bird salve a Pixar com Os Incríveis 2.

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