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A beleza imortal de Bloodborne

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Eu nunca tinha jogado um jogo da sére “Souls” na minha vida, nunca tinha tido interesse pelo gênero, sempre achei que fosse muito tempo gasto morrendo e se frustrando e que a recompensa por cumprir a tarefa era muito insatisfatória, até assistir o primeiro trailer de Bloodborne na E3 de 2014. Eu vi aquele mundo devastado, cheio de criaturas horrendas, aquele clima gótico em uma Inglaterra vitoriana diferente do normal. Naqueles poucos minutos eu me apaixonei por aquele universo e fiquei ansioso para seu lançamento no ano seguinte.

Chegando em fevereiro de 2015 o hype pro jogo já tinha caído bastante e eu não queria mais aquele jogo tanto assim, eu tinha voltado a pensar como pensava antes e achava novamente que ele seria apenas mais um jogo. Isso continuou ate duas semanas depois do lançamento do jogo quando eu resolvi entrar em uma call com alguns amigos e em um momento eles começaram a falar sobre o joguinho, eles falavam tão bem e me encorajaram tanto a comprar que eu acabei comprando. Comprei o jogo e devido ao longo tempo de entrega o hype abaixou de novo, o jogo chegou, eu larguei ele em cima de uma mesa e la ele ficou. Depois de 3 semanas eu estava sem nada pra fazer sentado em um sofá olhando pela janela quando olhei pra mesa e lá vi o jogo ainda embalado e cheio de poeira. Como estava literalmente assistindo a grama crescer resolvi dar uma chance ao jogo. Coloquei no console, esperei baixar as atualizações e finalmente estava pronto para jogar aquele jogo que me encantou tanto um ano atrás.

O jogo começou e eu estava confuso, um personagem que eu nunca tinha visto mas que futuramente significaria tanto para mim começou a falar, nada fazia sentido e então subitamente eu acordo em uma cama em um quarto vazio, apenas uma porta aberta e mais nada. Isso já começou a me interessar, o começo do jogo era aquilo, sem tutorial, sem prologo, nada, você era largado naquele lugar e tinha que encontrar seu caminho sozinho. Logo na porta do quarto você já da de cara com um lobo negro gigante, como eu não tinha nenhuma arma eu imaginei que o lobo teria uma força proporcional a minha, eu estava errado, muito errado. Eu fui massacrado facilmente e aquela foi a minha primeira morte no jogo, fiquei tão frustrado que pensei em parar de jogar ali, aquela morte representava tudo que eu pensava sobre os jogos da série “Souls”, eu tinha acabado de começar o jogo e ele já me apresentava um desafio quase impossível de vencer. Mas ai eu renasci em uma área diferente, comecei a explorar e achei alguns itens, minhas primeiras armas do jogo, lá haviam dicas, comandos de batalha e uma lapide estranha que me permitia um teleporte para a área onde eu estava antes, então eu tive mais uma chance contra aquele monstro e desta vez quem saiu vitorioso fui eu, eu tinha entendido porque o jogo tinha me colocado contra ele sem nenhuma preparação alguns minutos antes. O jogo queria que eu morresse, ele queria que eu entendesse que para ganhar naquele mundo eu teria que sofrer, cada erro meu, cada vez que eu não tivesse cuidado ele me puniria severamente. Finalmente eu tinha entendido porque todas aquelas tentativas e erros valiam a pena, não é sobre a recompensa, é sobre aprender a jogar e provar para si mesmo que você consegue.

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A próxima parte do jogo é a verdadeira prova, ela é feita para te destruir, comparada com as outras áreas do jogo e com o level em que você as explora ela é de longe uma das mais difíceis. Uma grande quantidade de inimigos, sendo que você não é familiarizado com nenhum deles e que você tem que aprender como lidar com seus ataques e defesas pela primeira vez, enquanto enfrenta cinco ou seis inimigos juntos. Nessa área você tem seu primeiro combate real, você aprende o timing dos seus ataques e esquivas e entende como o sistema de blood echoes funciona, você também aprende que a morte faz parte do jogo, em Bloodborne a morte é usada como um instrumento de ensino, cada vez que você morre você volta preparado para o que te matou, tudo isso para encontrar outras formas de morrer e consequentemente aprender novamente com a morte. Nesse primeiro estagio do jogo ele te ensina como jogar, te ensina como ver o mundo e como estudar bem seus inimigos antes de partir para cima, e tudo isso sem um tutorial entediante como na maioria dos jogos.

Eu, assim como muitas outras pessoas acabei sem querer pulando o primeiro boss e indo direto para o segundo, o que o torna bem difícil pois você apenas consegue subir de level derrotando o primeiro. Eu fui massacrado várias vezes pelo antigo hunter Gascoigne antes de desistir e começar a explorar outras áreas do mapa, foi em uma dessas explorações que, bem mais próximo ao ponto de spawn, eu encontrei o verdadeiro primeiro boss do jogoa Cleric Beast, por quem mais uma vez fui massacrado várias vezes. Mas dessa vez não era pela desvantagem de level, era por falta de blood vials, a poção de vida do jogo. Então agora eu precisava encontrar um caminho menor até os boss, um que eu não precisasse enfrentar dezenas de inimigos e gastar minhas blood vials antes do real confronto. E foi assim que eu encontrei os shortcuts, caminhos mais curtos a uma determinada área, que geralmente são escondidos e precisam ser encontrados para poderem ser usados. O jogo novamente estava me ensinando suas mecânicas por meio da tentativa e do erro. Finalmente tendo achado esse caminho eu consegui chegar até o boss com todas as blood vials e, desta vez, derrota-lo com facilidade.

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Conforme o jogo vai avançando você começa a perceber que tem algo faltando, uma história, chegando na metade do jogo eu senti que já estando meio avançado no jogo e algumas das minhas perguntas já deveriam ter sido respondidas, mas ao invés disso só foram surgindo mais e mais perguntas. As questlines do jogo não faziam sentido e nada que o primeiro caçador, Gehrman, tinha dito sobre paleblood no início do jogo parecia conectar com o que estava acontecendo. Foi ai que eu comecei a ler a descrição dos itens, elas são muito mais que apenas descrições, são histórias sobre o mundo e sobre antigos caçadores, sem elas dificilmente eu entenderia o porque de eu estar fazendo tudo aquilo. Cada item tem uma descrição única e uma mini história que conta como surgiu e para que serve, através delas é possível descobrir a melhor maneira de usa-las e ir se afundando de pouco a pouco dentro do gigantesco lore desse jogo.

Eu me apaixonei por esse jogo não apenas pelo o que ele é, e sim pelo que ele significa, ele sai dos padrões e realmente cria um experiencia única que é verdadeiramente incansável. Tudo que você pensa é como você irá matar o inimigo que te matou e como irá seguir em frente até encontrar o próximo boss, tudo isso para repetir mais e mais vezes até perceber que você está jogando a mais de 12 horas e precisa se alimentar ou dormir um pouco. Bloodborne é um jogo incrível que merece um lugar no meu coração e acima de tudo merece uma chance para provar do que ele é capaz.

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