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Dark Souls III – Review

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Mais uma vez eu me vejo sentado na frente do computador me preparando física e mentalmente para jogar um jogo da série Souls, estaria eu pronto para outra daquelas aventuras? Toda aquela morte e decepção na derrota, mas também toda a satisfação e felicidade quando a vitória é alcançada. A ansiedade misturada com um estranho medo toma conta do meu ser e eu resolvo iniciar a minha jornada de uma vez.

Os primeiros passos são sempre os mais difíceis, reaprender toda aquela mecânica única e, principalmente, reaprender que eu não serei perdoado pelos meus erros como na maioria dos outros jogos. Depois de me acostumar novamente com o estilo começo a acreditar que por causa da minha prática o desafio não seria tão grande, mas lá estava o jogo para me provar o contrario mais uma vez. Mesmo na primeira área ele já me coloca de cara com um dos bosses mais difíceis de toda a franquia por comparação a sua força, você só está naquele mundo por 15 minutos e o jogo já está te mostrando o quão fraco e despreparado você esta para a jornada a sua frente.

Passando desse chefe você encontra a primeira safe-zone do jogo, e ela traz um dos aspectos que eu acho importante citar sobre Dark Souls III, a sua semelhança com seu antecessor espiritual Bloodborne. Essa safe-zone funciona basicamente como o hunters dream funcionava em Bloodborne, um local para descansar, comprar itens e subir de level com uma personagem estranhamente parecida com a boneca do jogo anterior. As diferenças não param por ai, o combate e o feeling do jogo – pelo menos no início – puxam muito mais para Bloodborne que para outro Dark Souls da franquia, você ainda pode fazer o combate lento característico de Dark Souls mas diferente dos dois outros jogos é possível abandonar completamente o escudo e ir apenas desviando e contra-atacando seus inimigos. Alguns inimigos, entretanto requerem um comportamento especial, jogando com o combate mais agressivo vai deixar mais difícil de derrotá-los; enquanto se levados maior cuidado, usando o escudo e esperando o tempo certo de agir, certamente será mais fácil. Conforme o jogo vai avançando as semelhanças com Bloodborne vão diminuindo e o combate lento e cuidadoso de Dark Souls volta a aparecer, a transição é feita tão lentamente que você nem chega a perceber que não está mais apenas esquivando dos ataques e sim os defendendo e estudando seu oponente.

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Outro aspecto interessante do jogo são seus itens, ele segue o padrão de parte da história ser contada por descrições de itens específicos então é mais que necessária à leitura dos tais. A variedade de armas é impressionante, a grande maioria das classes começa com uma espada ou adaga e um escudo, mas o escudo logo pode ser retirado ou trocado por um cajado, a espada pode ser trocada por uma long-sword ou ate mesmo por um chicote! A variabilidade de builds possíveis chega a assustar, dependendo da sua preferencia é possível avançar como um mago, um cavaleiro ou um ladrão, entre muitas outras, tudo depende muito do seu estilo de jogo.

A progressão de dificuldade das áreas é feita com muito cuidado para que não fique nem muito fácil e nem muito difícil avançar para a próxima e o design delas é impecável. O jogo se passa no reino de Lothric que da mesma maneira que Lordran e Drangleic já foram um grande reino que caiu por causa de uma série de acontecimentos inoportunos. As várias áreas do jogo vão guiando você até o centro de Lothric onde ocorre a batalha com um dos Lords of Cinder. Todos os lugares por onde você passa são diferentes do anterior, sempre te tirando da zona de conforto te desafiando a explorar sem um guia e com plena capacidade de morrer em cada esquina, mas isso é o que faz Dark Souls divertido então não poderia ser diferente.

Em cada área existe pelo menos um novo tipo de inimigo que, por mais impossível que pareça, é mais difícil que o anterior. O jogo funciona assim, sempre te empurrando ao seu limite e te forçando a sair da zona de conforto que você acabou de criar. Muitas vezes você será pego de surpresa por um inimigo atrás de uma porta ou um inimigo já conhecido que aprendeu um ataque novo que você não tinha conhecimento, uma das telas mais frequentes durante a jogatina será a icônica barra preta com a escritura You Died em vermelho no centro. Muitas vezes o jogo pode até não ser justo, como quando depois de um longo tempo batalhando contra inúmeros inimigos você encontra um baú e já começa a esboçar aquele sorriso no rosto, até ver que ao abrir o baú ele cria braços e te puxa para dentro de sua boca te matando instantaneamente independentemente de quanta vida você tem, ou quando o jogo disfarça um dos inimigos com exatamente a mesma aparência de uns objetos no cenário que você já se acostumou. Tudo isso faz parte do jogo e reclamar é comum, aprender com a morte é tudo em conta nesse jogo.

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A história do jogo é ao mesmo tempo simples e complexa se explorada a fundo, quando você apenas arranha a superfície você descobre que algo botou em perigo a primeira chama e por isso o sino tocou novamente, despertando os já mortos Lords of Cinder de suas tumbas, incluindo você. Seu trabalho é coloca-los de volta em seu sono eterno um por um. As muitas boss fights do jogo são incríveis, mesmo depois de tantos bosses a From Sotware continua conseguindo inovar criativamente em cada uma das batalhas. Três delas em especial eu acho importante citar. A primeira sendo contra o Crystal Sage, a segunda contra os Abyss Watchers e a terceira contra o rei dos gigantes Yhorm the Giant, vale a pena ficar de olho nessas três lutas. Não tenho palavras para descrever o último boss do jogo, é uma mistura de felicidade, angústia e raiva lutar contra ele, não posso contar muitos detalhes ou estarei dando spoilers e eu quero que vocês descubram sozinhos o que está por vir.

Os gráficos não evoluíram muito desde seu antecessor, mas sem dúvida pode se afirmar que esse é o melhor porte para PC já feito pela From Software. O jogo apresenta alguns problemas com seus comandos no controle, uma vez que em muitas ocasiões ele não percebe que tem um conectado, ele sendo um Dualshock 4 ou um controle de XONE. Mesmo sem um controle conectado no computador os comandos do jogo aparecem como se tivesse um, os botões e tutoriais estão todos padronizados para um controle de um Xbox, dentro do jogo é possível jogar com o teclado, mas é preciso aprender o que cada botão faz porque o jogo não da nenhum tutorial.

A dificuldade da série Souls continua ali e eu diria que mais do que nunca, diferente dos outros jogos que conforme você jogava iam ficando mais fáceis, esse funciona ao contrário, quanto mais você joga mais difícil ele fica, ao entrar em cada nova área o sentimento é igual a estar começando o jogo novamente. Dark Souls 3 é tudo que eu esperava como um sucessor da franquia Souls e mais um pouco considerando as adições muito bem vindas de Bloodborne.

plot end reviewbarEsse texto foi escrito com base numa cópia de Dark Souls III para PC cedida pela Bandai Namco.

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