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ABZÛ – A jornada contemplativa de um poeta

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As vezes a poesia parece estar mais do lado da música e das artes plásticas e visuais do que da literatura. Alguns acham que ela não pertence à literatura. De fato, a poesia é um corpo estranho nas arte das palavras. É a menos consumida de todas as artes, embora pareça ser a mais praticada. Eu nunca relacionei a poesia com videogames mas os jogos da thatgamecompany (Journey e Flower) sempre me pareceram – assim como a poesia – um organismo estranho no seu meio. Um poeta é sempre interpretado como aquele artista que é meio maluco, fora do convencional, estranho. Mas é sem dúvida aquele que ajuda a fundar culturas.
Não dá pra entender a cultura portuguesa sem Camões; a inglesa sem Shakespeare; a italiana sem Dante; a grega sem Homero.
Não dá pra entender videogames sem jogar Journey e Flower. E ABZÛ chega para somar a esse movimento de jogos que mais parecem poesias.

Ao pensar em um jogo sobre mergulho a primeira coisa que deve vir a cabeça é você ter um medidor de ar e ter que manter o controle de níveis de pressão. Em ABZU todas estas preocupações são dispensadas e o jogador é livre para explorar as maravilhas do mundo subaquático.
A trilha de Austin Wintory  corresponde a natureza contemplativa de ABZÛ perfeitamente, atuando como um sútil ruído de fundo sintonizado com a vida marinha do oceano. A jornada mistériosa por ambientes lindos unidos a exelente orquestra de Wintory mantem o interesse do jogador por suas duas horas. O mundo de ABZÛ – assim como sua trilha – é radicalmente diferente de Journey, cheio de cores e vida o sentimento aqui e mais alegre que em Journey. A vida marinha tem seu próprio conjunto de maravilhsa e perigos, bem como uma atmosfera relaxante.

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O poeta é aquele que se debruça não apenas sobre o segredo das palavras, mas também sobre esse vazio que é a linguagem. ABZÛ divaga sobre o que é de fato um jogo e nessa jornada desperta sentimentos indescritíveis.
Isso me fez lembrar de uma discussão do Giant Bomb do que é um jogo. Pra eles um jogo é apenas um jogo aquele que tem a chance de você ser derrotado, morrer ou perder.  Vendo por essa visão ABZÛ não é um jogo. E eu nem acho que é isso que ele quer ser. ABZÛ é uma experiencia de contemplação e apreciação de ambientes e sentimentos em um videogame. ABZÛ é universal sem palavras, ele promete tocar qualquer um que o experimenta.

Em uma mídia tão enxurrada de jogos de violência e realismo ABZÛ traz um tom melancólico de contemplação. Mas conta uma história especial, e faz isso com graça e uma sutileza raramente utilizada em videogames. Isso o torna de fato especial e traz o mérito de dever ser experienciado por todos.

“O Poeta é aquele que fala como os outros não conseguem e faz com que todos o entendam…”

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